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Mulheres no PUBG

Apesar das mulheres estarem presentes nos jogos eletrônicos o mercado de eSport ainda é dominado por homens. Por isso trouxe 6 visões diferentes (ou não tão diferentes…) de mulheres que estão presente no cenário competitivo de PUBG.

A quantidade de times exclusivamente femininos ou mistos é pequena demais comparada ao número de mulheres no game – um grupo no facebook que conta com apenas mulheres jogadoras de PUBG, ultrapassa o número de 500 participantes. Existem diversos motivos que desencorajam essas mulheres a buscar mais visibilidade no cenário competitivo, porém, é muito fácil citar o principal deles: a falta de respeito.

DjennyPERIGOSA joga todos os dias, jogo casual e competitivo, e faz questão de falar no lobby (avião para os mais íntimos de PUBG). Mas de acordo com ela, acontece sempre a mesma coisa. 

“por simplesmente ser mulher e estar jogando um game o qual acham que só homens deveriam jogar, a história sempre se repete: vai lavar louça, vagabunda, sua puta, lugar de mulher é na cozinha fazendo comida pra macho, e por aí vai”  — comentou. 

Esse tipo de “brincadeira” (para mim é insulto, mas quem fala diz que é brincadeira), na maioria das vezes, intimida as mulheres e as deixa receosas de buscar mais visibilidade. Se engana quem acha que isso acontece apenas por não mostrar nick ou rosto. Mariana “Frauer” que hoje joga pelo time da Cooldown eSports, já foi streamer e comenta: “Quase toda vez eu era chamada por nomenclaturas pejorativas, ou me matavam in-game, pelo simples fato de eu ser talvez a única mulher trans no cenário brasileiro de PUBG.”

“Pra muita gente é normal, mas pra mim é frustrante, e fico pensando se a pessoa que me ofende quer me humilhar, ou sei lá qual o objetivo… Penso se ele já tentou se colocar no lugar dos outros ou até mesmo se  imaginou uma mulher que ele ame sendo agredida da mesma forma. E também tem a parte que eles ficam puxando nosso saco, assediando só por sermos mulheres, enfim é um saco isso tudo”  — Fernanda “Feegrr”, jogadora do time da Troll Team eSports.

Normal não é, eu diria que é comum esse tipo de atitude dentro de jogos e isso é algo que deveríamos falar mais vezes. É normal você brincar, ter uma competitividade com outros jogadores, mas quando você se utiliza de insultos simplesmente por ser uma mulher, deixa de ser brincadeira e passa a ser falta de respeito (machismo).

“Sempre rola uma coisa ou outra que nos deixa desconfortáveis, acho que toda menina gamer  passou por alguma situação constrangedora ou machista, mas o fato de sempre relevarmos ou levar na esportiva esse tipo de coisa, faz com que isso se torne cada vez mais frequente.”  — Leticia Helena, jogadora da Space Monkeys Girls.

Infelizmente esse tipo de atitude influencia muito no interesse que as mulheres possuem no cenário competitivo. De acordo com Rafael Pereira, que chegou a atuar na KaBuM eSports, junto com a Universidade Federal de Santa Catarina, comentou em uma reportagem para a Versus: “Identificamos que, por questões sociais e até por conta do preconceito, mulheres não tinham oportunidades justas sequer de demonstrar sua performance real”[…] “Fica o questionamento: como comparar o desempenho entre mulheres e homens, quando elas nem sequer têm as mesmas oportunidades que os homens nessa área?”.

A falta de incentivo acarreta a falta de oportunidade, fazendo com que as mulheres se afastem ainda mais de mostrar o seu potencial. Sabemos que precisamos lutar por isso, com comprometimento e responsabilidade, porém a cada passo que tentamos dar nesse cenário tem alguém sempre questionando nossa presença apenas por sermos mulheres. Independente da line que estivermos, exclusiva ou mista, estamos em busca de visibilidade.

All-Women’s College Will Have eSports Program With Scholarships
imagem tirada pelo Cody Gravelle.

Espero que o cenário feminino seja tão visível quanto o cenário “masculino”. Digo entre aspas pois vários regulamentos de campeonatos de esportes eletrônicos, por exemplo, que não especificam que somente homens podem participar, ou seja, mulheres também podem, mas não há incentivo, visibilidade ou oportunidade para que alcancemos tais posições.”  — Frauer.

“E é algo que quero nesse momento, jogar com garotas, crescer com mulheres e vencer como grandes jogadoras. E espero que depois dessa matéria, as mulheres que estão no cenário e que ainda hesitam em entrar saiam da bolha e criem coragem, precisamos de vocês meninas!”  — Lana Pipolo, jogadora da Space Monkeys Girls.

imagem tirada pela ESL

 

Apesar do caminho ser difícil, iremos manter nossas cabeças erguidas e prontas para ultrapassar qualquer obstáculo que esteja no caminho dos nossos sonhos. Torcemos para que o cenário mude se tornando uma caminhada mais agradável para as mulheres.

“Espero o aumento de times, seria muito bom ter pelo menos 20 times femininos comprometidos, até para poder montar ligas e campeonatos femininos.” Mariiberry, jogadora da Space Monkeys Girls.



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3 comentários

  1. É muito triste esse machismo que existe nos games.

    Casos recentes como o da streamer LittleVelma, ajudam a conscientizar os jogadores, é mostrar para eles que não é brincadeira, e sim falta de respeito, espero que nosso cenário evolua mentalmente, e pare de diminuir as meninas, para que o cenário se torne um ambiente menos hostil. 🙂

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