DOTA 2 ESPORTS NEWS

Confira nossa entrevista exclusiva com “Coldão”, narrador e dono da organização ColdFox

Dando continuidade à nossa série de entrevistas com personalidades do universo gamer, nosso convidado de hoje é o grande streamer e narrador Arthur “Coldão”, conhecido também pela comunidade de Dota 2 como ColdFox, embora hoje esse nome pertença à sua organização de Esports.

Nosso papo com ele foi bem interessante, abordando assuntos como direitos de transmissão, delay em jogos oficiais, plataformas de stream e, é claro, falamos sobre os principais desafios encontrados para se criar e administrar uma equipe de Esports.

Então se aconchega aí e curta mais uma entrevista exclusiva da Paradoxal News!

Quando pensamos em transmissão de games, pensamos logo na Twitch. Mas você optou por um caminho completamente diferente dos demais. Por que escolher o YouTube ao invés da Twitch?

Coldão: Na realidade, não houve muito planejamento. E mesmo já tendo feitos algumas narrações no passado, antes de começar meu canal em 2017, meus primeiros conteúdos postados foram vídeos sobre Dota 2, dicas no geral. Quando comecei, caí de cabeça e queria fazer o canal crescer. Tinha uma meta de conseguir mil seguidores em um ano, e quando experimentei narrar, vi esses números subirem. Eu tive um pouco de sorte, pois foi justamente quando o YouTube estava começando a possibilitar livestreams em sua plataforma, então eu acabei sendo um pioneiro em fazer lives por lá e principalmente sobre Dota BR.

Você atualmente mora no Rio de Janeiro, e sabemos que o polo nacional do Esports fica em São Paulo. Há algum projeto em mente no sentido de unir os influenciadores do Rio para crescer o cenário local?

Coldão: Moro em Niterói, no Rio, o que me deixa ainda mais distante do polo de Esports. Não existe projeto de me mudar ou querer fomentar algo aqui na minha região em específico. Acho que o Dota 2 já tem um público muito limitado e parece mais fácil marcar algum tipo de evento/campeonato futuramente aonde o núcleo está localizado. Esse lance de ficar distante do polo não acaba sendo um problema, pois a maior parte do meu trabalho é online e poderia executar de qualquer lugar com uma boa internet.

Você é bastante ativo nas redes sociais com relação aos direitos de transmissão da Valve. Acredita que o modelo atual seja benéfico para o cenário?

Coldão: Acredito sim que o modelo de direitos de transmissão da Valve seja benéfico ao jogo e à comunidade. O que causa problemas, e por isso eu acabo falando muito sobre esse assunto. É que parece que os grandes campeonatos e outros estúdios de narração fazem uma má interpretação dessas regras e buscam exclusividade de transmissão em cimas de partidas de Dota, alegando ou que o conteúdo é deles ou que eles compraram o direito de transmissão, e por isso só eles podem transmitir querendo exclusividade. Veja, quem está acostumado a modelos de direitos de transmissão de outros esportes, pode até achar que esses campeonatos e estúdios estão certos. Mas é aí que vai completamente contra o que a Valve falou, que todas as partidas que passam por dentro do DotaTV podem ser transmitidas sim, e que aquele conteúdo pertence a Valve (e não aos campeonatos) e que só a própria poderia mandar strikes no YouTube ou na Twitch por causa de copyright, e não é o que acontece.

Isso tudo sem falar que a Valve/Dota já está muito ausente quando se trata de investimentos e atenção ao desenvolvimento do jogo. Querer cobrar exclusividade na transmissão, iria assassinar o jogo que já está perdendo jogadores lentamente por causa dessa ausência dos desenvolvedores.

Sobre o delay imposto nos jogos oficiais de campeonatos, você acha que é um recurso justo?

Coldão: Rolou um problema quando a Valve falou sobre o delay da primeira vez, e adivinha o porquê? Porque as organizadores de campeonato interpretaram errado mais uma vez e começaram a abusar dos streamers, pedindo para que os mesmos que estivessem em um jogo já com delay dentro do DotaTV adicionassem mais delay em suas lives pessoais, perdendo o contato ao vivo com o chat! Agora que a empresa se pronunciou novamente, ficou claro que a ideia da Valve é manter o direito de qualquer um transmitir em tempo real e que esse delay deveria ser adicionado pelo campeonato no DotaTV. O modelo mais justo e benéfico para o jogo é o atual: qualquer um pode transmitir as imagens que passam dentro do DotaTV em suas lives e criar conteúdo com isso.

O caminho oposto a isso (que alguns querem), é por restrição, para que só quem comprou o direito de transmissão, ou o organizador campeonato, possa transmitir. Agora imagina consumir conteúdo de apenas um canal e esse canal ser ruim? É o que acontecia aqui no Brasil e no mundo. E como novas pessoas e streamers estão começando a fazer um trabalho bem melhor, acaba que fica feio para aqueles que querem a exclusividade.

Sabemos que ter uma equipe é extremamente cansativo e custoso. Quais são os principais desafios que seu time enfrenta hoje? Por que ter uma line up de Dota e uma de free fire, já que são jogos completamente distintos?

Coldão: Minha ideia hoje é expandir a ColdFox, e acho que posso chegar muito mais longe se continuar investindo nos Esports e ampliar o leque de jogos competitivos. Me inspiro em modelos de times estrangeiros, como por exemplo a Team Secret, que além do Dota, atua em várias outras modalidades. Meu objetivo agora é fazer a conversão da ColdFox de um canal meu, pessoal, ou simplesmente um canal de narração, para um modelo de organização completa, montando lineups competitivas em diferentes modalidades.

E é muito cansativo, sim. Estou buscando patrocinadores, pois o maior investimento vem das narrações de Dota e do alcance do canal junto com os sócios apoiadores do time. Mas é por ser difícil e desgastante que se torna interessante. Como não posso investir muito com capital, minha ideia é investir com educação aos players e tentar passar a minha experiência e visão para os meninos conseguirem voar longe, e consequentemente a ColdFox também.

Além do bom e velho Dota, quais jogos você curte jogar para desestressar após umas rankeadas?

Coldão: Desde o dia que comecei o canal e passei a trabalhar com Dota, eu não sei mais o que é desestressar. Hoje em dia estou querendo diversificar o conteúdo que eu crio. O YouTube vai ficar focado nas narrações e a Twitch vai ter mais gameplay. Curto muito jogar games de sobrevivência, Rust em especial, além de RTS. Prefiro games online.

Você tem praticamente todo o YouTube doteiro a sua disposição em suas transmissões. Que dica você daria para as pessoas que querem começar a criar conteúdo nessa plataforma? Dá para se viver de adsense do YouTube?

Coldão: Sinceramente, eu acho difícil. Porém, não é impossível (eu estou aqui, não é mesmo?). Meu canal começou em fevereiro de 2017 e nesse ano inteiro eu criei MUITO conteúdo, além de começar a narrar com muita intensidade e sem ganhar 1 real. Se não me engano, só fui ganhar meus primeiros 100 dólares em janeiro de 2018.

Eu não sou o único que cria conteúdo na plataforma e tem muitos doteiros que não me suportam, e mesmo no YT não me assistem. Sinceramente, para narração, acho que se tivesse começado na Twitch direto poderia estar até melhor. Por um momento, a exclusividade da plataforma me ajudou, mas o que fez dar certo foi a qualidade e quantidade.

Dada essa explicação, hoje depois de 3 anos eu ainda tenho que dar muito o sangue para receber e grande parte da arrecadação vem de doações. Ou seja, se for para viver no YouTube fazendo só vídeos de Dota, não dá para viver. Agora se você tem uma comunidade e pessoas que te apoiam fica melhor.

Sabemos que você passa horas e horas narrando quase que sem pausa. Existe algum exercício físico que você faz para se preparar para longas horas de trabalho?

Coldão: Existe só a força de vontade em querer fazer isso dar certo. Cansa muito mesmo e para a galera que acha que nossa vida é mais fácil, doce ilusão. Por ficar horas na frente do computador, já vi minha saúde piorar, tanto em questão de postura quanto ficar mais magro mesmo (esquelético), sem falar que alimentação e bebida podem agravar mais ainda. Então, por ver esses efeitos em mim, resolvi mudar e entrei em uma academia. Desde então busco sempre me exercitar para evitar esses desgastes à saúde.

Qual conselho que você daria para o Cold do passado tendo a experiência do Cold do presente?

Coldão: Se pudesse fazer isso, a única coisa que eu aconselharia seria para continuar a acreditando em mim e não no que os outros falam. Sempre vivi assim, mas confesso que em alguns momentos, quando não se tem ninguém para te apoiar, você pode fraquejar e começar a questionar se o seu caminho é correto ou até mesmo pensar em desistir.

Lembro que quando comecei meu canal, até meus pais falavam que não ia funcionar. Não tinha nenhum apoio e isso na época foi meu combustível para mostrar que eles estavam errados. Então eu continuei, cheguei até aqui, e ainda escuto pessoas dizendo essas coisas para mim. Por isso essa ideia hoje é bem clara: independente do que os outros digam, se você acredita, vá atrás e não se deixe influenciar ou desmotivar por terceiros.


Quer acompanhar o trabalho do Coldão e sua organização nas redes sociais? Então se ligue nos links abaixo!

Twitter do Coldão: https://twitter.com/coldaogg
Twitter da Coldfox: https://twitter.com/coldfoxgg
Twitch do Coldão: https://www.twitch.tv/coldaogg
Youtube da ColdFox: https://www.youtube.com/c/coldfoxgg



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